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domingo, 24 outubro, 2021

Empresa baiana investigada por esquema criminoso no Detran lavava dinheiro do tráfico

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Investigação do Ministério Público da Bahia aponta que a empresa “Mega Placas”, de Salvador, além do envolvimento em um esquema na prestação de serviço de estampamento de placas veiculares junto ao Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), também praticava atividades que incluíam lavagem de capitais do tráfico de drogas.

A apuração do MP identificou que o denunciado Adriano Decia, sócio da empresa, colocou como sócio e “testa de ferro” o filho Rafael Decia. A empresa é gerenciada por Catiucia Dias, também denunciada, e recebeu cinco operações financeiras no mesmo dia 17 de julho de 2019, quando foram movimentados R$ 433 mil.

 

Conforme a denúncia, a empresa que enviou o dinheiro foi a Gaochen, que na verdade se trata de um stand de eletrônicos localizado na Avenida 25 de Março, em São Paulo. A Gaochen  recebeu créditos milionários em negociações de criptoativos com 12 exchanges. Além disso, dentro diversas outras operações suspeitas, recebeu créditos advindos de depósitos em espécie feitos em dezenas de áreas de risco do país, incluindo regiões de fronteiras e polígono da maconha.

 

Parte do crédito depositado pela Gaochen para a Mega Placas foi repassado dois dias depois para a conta pessoal de Catiucia.

 

Sobre os depósitos suspeitos para a Gaochen, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco) identificou que a mãe, a irmã e a companheira de Janderson Araujo Lucas Cecilo, conhecido como “Perneta” e apontado como gerente do tráfico de drogas na localidade do Fumacê, no Rio de Janeiro, depositaram R$ 515 mil em espécie na conta da empresa R A da Silva. A empresa, por sua vez, transferiu os valores para a Gaochen.

 

Ao seguir o caminho do dinheiro alocado pela Gaochen na Mega Placas, a investigação apontou que é possível identificar que o fluxo do capital se destinou em parte a remunerar as empresas do cartel de placas. Foram beneficiadas empresas falsamente concorrentes do segmento de estampamento de placas, traz a denúncia.

 

Entre essas empresas concorrentes do ramo de estampamento de placas está a “Melhor Empresarial”, que tem como sócio administrador Daniel Angelo de Paula que foi investigado, preso e denunciado pelo Gaeco do Ministério Público do Rio de Janeiro na Operação Palhares. Essa operação envolve Márcio Duarte, preso na Operação Faroeste (leia mais aqui), que investiga suposto esquema de venda de sentenças no tribunal de Justiça da Bahia envolvendo grilagem de terras no Oeste do estado.

 

A denúncia aponta Adriano Muniz Decia como coordenador de uma associação criminosa que atua em pelo menos quatro frentes criminosas: associação criminosa, cartel, falsidade ideológica e fraude em licitações.

 

Na terça-feira (21) MP apresentou denúncia contra o presidente da Associação Baiana de Estampadores de Placas Veiculares e Similares (ABEPV), Adriano Muniz Decia, considerado o coordenador da associação criminosa;  Catiucia Souza Dias, apontada como gerente operacional do esquema; Rafael Ângelo Eloi Decia e Ivan Carlos Castro do Carmo por associação criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito na Operação Cartel Forte (leia mais aqui).

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