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segunda-feira, 27 setembro, 2021

Eleição no Peru: Castillo passa Keiko com diferença de 25 mil votos; 92% das urnas já foram apuradas

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Pedro Castillo passou a candidata Keiko Fujimori e lidera por uma vantagem pequena, de cerca de 25 mil, na apuração da eleição presidencial no Peru na tarde desta segunda-feira (7).

Com 92% das urnas apuradas, Castillo tem 50,076% dos votos válidos contra tem 49,924% de Keiko, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol).

A diferença atual é de apenas 0,152 ponto percentual, ou 25.499 votos. São 8.373.661 para a candidata da direita conservadora, contra 8.399.160 para o candidato da esquerda radical.

Pesquisa de boca de urna divulgada no domingo (6) havia indicado vitória apertada de Keiko, com 50,3% dos votos válidos (contra 49,7% de Castillo).

Depois, o mesmo instituto de pesquisa passou a falar em “empate técnico” e apontou uma inversão do resultado, após fazer uma contagem rápida dos votos, divulgou uma projeção com 50,2% para o professor de escola rural e 49,8% para a filha do ex-presidente Alberto Fujimori.

Castillo, de 51 anos, havia pedido calma após os primeiros resultados parciais, advertindo que “ainda falta contar os nossos votos, da zona rural”. Keiko, 46 anos, afirmou no domingo que a boca de urna deveria ser considerada com “prudência” porque a margem de diferença era “pequena”.

Ambos os candidatos prometeram respeitar o resultado de uma das eleições presidenciais mais disputadas da história do Peru, um país devastado pela pandemia e por uma grave crise política (veja mais abaixo).

“Vamos ser respeitosos assim que houver um resultado oficial”, afirmou o candidato de esquerda após votar com um paletó marrom e chapéu branco, traje típico dos camponeses de Cajamarca.

“A partir de agora, posso dizer que, seja qual for o resultado, respeitarei a vontade popular, como deve ser”, prometeu a candidata de direita, que tenta pela terceira vez se tornar a primeira presidente mulher do Peru. Em 2016, Keiko não reconheceu a derrota para o banqueiro Pedro Pablo Kuczynski.

País em crise

Com projetos antagônicos, o professor de escola rural e a filha de Fujimori chegaram ao segundo turno praticamente empatados nas pesquisas, após uma campanha marcada por incertezas e exacerbação de temores, o que elevou a cotação do dólar na sexta-feira (4) a um recorde de 3,9 soles.

Keiko pode ser a primeira presidente peruana, meta para a qual trabalha há 15 anos, desde que assumiu a missão de reconstruir praticamente das cinzas o movimento político de direita fundado por seu pai em 1990.

Já Castillo concentra o apoio nas áreas rurais do “Peru profundo”, mas ele caiu nas pesquisas de opinião devido ao temor de peruanos que o país se transforme “em uma nova Venezuela” devido a posições extremas do candidato.

O país, que chegou a ter três presidentes em uma semana em novembro de 2020, atravessa grave crise política. O atual presidente é Francisco Rafael Sagasti, que assumiu interinamente após Martín Vizcarra sofrer um impeachment e seu sucessor, Manuel Merino, renunciar após cinco dias.

Quem vencer tomará posse em 28 de julho, dia em que o Peru comemora o bicentenário de sua independência. O presidente interino, Francisco Sagasti, pediu a seus compatriotas “que respeitem escrupulosamente a vontade expressa nas urnas”.

Com a mudança, o Peru se tornou o país com o maior número de mortes por Covid-19 do mundo em relação à população.

São 5,6 mil óbitos a cada 1 milhão de habitantes, quase o dobro do segundo colocado (a Hungria, que tem 3 mil). O Brasil é o 10º pior, com 2,2 mil mortes por milhão, segundo dados do “Our World in Data”.

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